terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Profissão de historiador poderá ser regulamentada

A regulamentação da profissão de historiador é o objetivo do Projeto de Lei 3759/04, apresentado pelo deputado Wilson Santos (PSDB-MT). "O tratamento técnico adequado às interpretações dos fatos acontecidos pelo profissional em História faz com que a compreensão seja a mais próxima possível da realidade, qualificando esse profissional em especialista no assunto", ressalta o parlamentar.
A proposta estabelece que o exercício da profissão de historiador, será assegurado: aos bacharéis em História, portadores de diplomas expedidos por cursos regulares e ensino superior, reconhecidos ou autorizados pelo Conselho Federal de Educação; aos bacharéis em História, portadores de diplomas expedidos por instituições estrangeiras e revalidados no Brasil de acordo com a legislação em vigor; aos licenciados, mestres, doutores e livre-docentes em História, diplomados, em estabelecimentos de ensino superior, oficiais ou reconhecidos; e aos que, embora não diplomados, exerçam, comprovadamente, até a data da publicação da nova lei, há cinco anos ou mais, atividades próprias de historiador.

Atividades do historiador
O texto apresentado define que os órgãos públicos da administração direta ou indireta ou as entidades privadas, quando implementarem quaisquer das atividades definidas como de competência privativa do historiador, deverão manter historiadores legalmente habilitados para o exercício dessas atribuições. Pelo projeto apresentado, essas atividades serão:
- planejamento, organização, implantação, direção e execução de trabalhos de pesquisa histórica;
- assessoramento para planejamento, implantação e execução de trabalhos de documentação e informação histórica e de preservação do patrimônio cultural;
- participação na definição dos critérios de avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação ou descarte, bem como nas comissões encarregados da execução desses trabalhos;
- elaboração de pareceres, relatórios, planos projetos, laudos e trabalhos sobre assuntos históricos;
- assessoramento, consultoria e participação em atividades interdisciplinares que requeiram pesquisa histórica; e
- assessoramento, consultoria e participação em atividades, planos ou projetos que envolvam a análise histórica da realidade nacional.

O projeto, que tramita em
caráter conclusivo, está na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, onde será relatado pelo deputado Vicentinho (PT-SP). Se aprovado, seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: Agência Câmara
Tel. (61) 216.1851
Fax. (61) 216.1856
E-mail: agencia@camara.gov.br
A Agência utiliza material jornalístico produzido pela Rádio, Jornal e TV Câmara.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Histórias, culturas e territórios na esducaçao

Este livro de Alexandre do Nascimento, Amauri M. Pereira, Luis Fernandes de Oliveira e Selma M da Silva      ( orgs) traz para os leitores reflexões docentes para uma reeducação das relações étnico-raciais.
Preocupada com o cumprimento da legislação e reconhecendo as reivindicações de educadores e do movimento social negro, a Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec) resolveu reconhecer e oficializar a proposta de constituição de um Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros formulada por um movimento interno de professores em 2005 e 2006. Tal reconhecimento e oficialização aconteceram em 2007 com a criação do Núcleo de Estudos Étnico-Raciais e Ações Afirmativas (Neera), no âmbito da Divisão de Inclusão da instituição.
Este livro apresenta reflexões teóricas e estudos científicos que docentes da Faetec e do Centro Universitário da Zona Oeste (Uezo) vêm acumulando a partir de práticas políticas, pesquisas acadêmicas e experiências em sala de aula. É o início de um novo tipo de produção na Faetec.



Simone S.Santos (Monitora do grupo de estudo de pesquísa e extensão).

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Poeta dos candomblés", professor do Campus XIII/UNEB lança livro sobre poeta negro feirense

Aloísio Resende, poeta dos candomblés: histórias das populações negras em Feira de Santana-BA, livro organizado pelo prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira, do Colegiado de História do Campus XIII da UNEB, reune alguns ensaios que tratam sobre a experiência do poeta negro Aóísio Resende que viveu em Feira de Santata na primeira metade do século XX. Alóísio produziu grande parte de sua literetura (poesias, sonetos e crônicas) sobre as populações negras locais, em especial o candomblé. Em suas crônicas o escritor defendia os candomblés à punho de ferro contra toda e qualquer tipo de agressão, ao tempo que reconhecia e valorizava as ialorixá e babalorixás locais. Publicado pela SAMP EDITORA, o livro contou com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Feira de Santana. A agenda de lançamentos será inaugurada nesta próxima sexta-feira (04/11) no âmbito do encerramento da disciplina História e Cultura Afro-Brasileira, evento organizado pelos alunos de Pedagogia da UNEB/PARFOR, pólo de Queimadas. No dia 17, será lançado no Pará como programação do I Simpósio Internacional de Relações Raciais na Amazônia, evento organizado pela UFPA. No Campus III/UNEB, o livro será lançado durande o Encontro da Consciência Negra, evento coordenado pela prof. Drª Anória de Jesus Oliveira. Essa agenda de lançamentos são preparativas para o esperado lançamento em Feira de Santana, o qual será acompanhado pela exposição das telas do artista plástico Gabriel Ferreira, as quais ilustram o livro.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

PARFOR/UNEB de Queimadas realiza atividade de encerramento da Disciplina História e Cultura Afro-Brasileira

 CONVITE
OS ALUNOS DA turma de PEDAGOGIA, da Plataforma Freire, campus xiv – uneb, pólo de Queimadas tem o prazer de convidar V.S. E FAMÍLIA para participar do Encerramento da Disciplina História da Cultura Afro-Brasileira seguida de uma Palestra proferida pelo professor Dr. Josivaldo Pires de Oliveira, autor que lançará seu livro no evento.
Informamos que o referido evento acontecerá no dia 04 de Novembro, ás 19h no Salão NOBRE da Câmara de Vereadores, na cidade de Queimadas.


 “UM POVO QUE NÃO CONHECE A SUA HISTÓRIA É COMO UMA ÁRVORE SEM RAÍZ”
Steve Biko 

Contatos:
E-mail: plataformafreire_queimadas@hotmail.com
 -mail: plataformafreire_queimadas@hotmail.com

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

História da África mobiliza professores e estudantes no Campus XIII da UNEB

Car@s,
segue programação de um interessante evento organizado no âmbito da Disciplina História da África, oferecida pelo Colegiado de História do Departamento de Educação do Campus XIII da UNEB. A disciplina e o evento tem como responsável a professora Cristiane Batista, lotada no referido Colegiado. Éfetiva da área de História da África, Cristiane Batista prepara tese de doutorado em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA e é membro do grupo de pesquisa Populações Negras: Pesquisa e Extensão (UNEB/CNPq). Segue o convite e programação:
O Evento será realizado no âmbito da Disciplina História da Africa III, e conta com o apoio do grupo de pesquisa Populações Negras: Pesquisa e Extensão (PNPE/CNPq). Teremos 15 h/a extras de extensão para os alunos, com direito a certificados emitidos pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão do Departamento (NUPE).
As atividades ocorrerão às quintas-feiras. No entanto, os colegas que quiserem participar e colaborar
com alguma sugestão, inclusão, palestra, leitura filmica, etc, serão bem-vindos, é só contactar-nos.

I Mesa-temática de História da África:
“Olhares sobre a África Centro-Ocidental: Angola e Bahia nas rotas da Diáspora Atlântica”

Data: 03/11/2011
Carga Horária:  04 ha
Clientela: Alunos de V Semestre
Local: Auditório da UNEB - campus XIII -

Organizadora: Profª Cristiane Batista: professora de História da África, coordenadora da Linha de Pesquisa I – Afro - América do GEPN/NUPE – Campus XIII

Palestrantes:
 Aline da Silva Cerqueira
Título: O catolicismo africano: reinterpretações religiosas e culturais.

Cristiane Batista
Título: Perspectiva atlântico - diaspórica de Angola no sul baiano Oitocentista: tráfico,sociabilidades e festividades
Título: História da África e dos africanos pelas fontes inquisitoriais: reflexões e possibilidades.

 
I Mesa Redonda História da África:  Presença cultural africana e formas de transculturação entre a África e as Américas nos séculos XIX e XX: festividades negras, sociabilidades e outras expressões;

Data: 01/12/2011
Carga Horária: 04 ha
Clientela: Alunos de V Semestre
Local: Auditório da UNEB - campus XIII -
Organizadora: Profª Cristiane Batista
Palestrantes:
Cristiane Batista
Josivaldo Pires ( a confirmar)
Rodrigo Lopes
 
I Seminário: Ensino de História da África no Ensino FundamentalData: 15/12/2011
Carga Horária: 08 ha
Clientela: Professores da Rede Estadual/Municipal de Ensino
Vagas: 50
Local: Auditório da UNEB -  campus XIII –
Organizadora: Profª Cristiane Batista
Participantes e Autoria: Alunos de 5º Semestre do Curso de História

OBS: Apresentação da proposta aos professores do municipio que atuam no Ensino Fundamental
Apresentação das possibilidades  de Pesquisa e Acervos do Campus/Núcleo/Grupos disponíveis para pesquisa
Apresentação de um caderno didático com planos de História da Africa para o Ensino Fundamental
( pretendemos disponibilizar em CD com ISBN)
Contatos:
Profª Cristiane Batista
(71) 88324184
(71) 93026001

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Palestras sobre o candomblé congo-angola homenageiam os 70 anos de iniciação de mãe Zulmira de Nanã

O Terreiro Tumbenci e a Associação Beneficente e Recreativa Santa Bárbara Virgem realizarão, no dia 27 de outubro de 2011, às 16h, no Auditório Kátia Mattoso, da Biblioteca Pública da Bahia (Central), o evento Conferências Mãe Zulmira de Nanã, versando sobre a seguinte temática: O candomblé congo-angola e a religiosidade afro-brasileira: muita história pra contar. As conferências fazem parte da Programação Comemorativa (a não religiosa) aos 70 anos de iniciação da mameto kwa nkisi Zulmira Santana França.
Mãe Zulmira é uma das mais importantes sacerdotisas vivas do candomblé da Bahia, comanda desde o final dos anos 50 o Terreiro Tumbenci, herdado de Marieta Beuí, que antes funcionava no bairro de Cosme de Farias, e hoje funciona em Lauro de Freitas, na região de Vilas do Atlântico.
Aberta ao público em geral, com entrada franca, o objetivo central das conferências é discutir com profundidade a relevância sócio-antropológica do congo-angola, narrando sua história, entendo seus caminhos atuais e marcando a importância da cultura banto no papel civilizatório do povo brasileiro.
Para discutir estas questões e atingir os seus objetivos os organizadores do evento convidaram o Prof. Jaime Sodré que proferirá a palestra Panorama histórico do candomblé congo-angola na Bahia; o cantor e compositor Tiganá Santana falará da Trajetória de mãe Zulmira, marcas da grande sacerdotisa em seu ofício religioso; a jornalista e mestra em Estudos Étnicos e Africanos Cleidiana Ramos narrará A presença do Angolão Paquetan e o culto dos Nkisis na Bahia; arrematando as conferências, Raimando Nonato da Silva, o Tata Konmmanjy, falará A força do congo-angola no cenário religioso do Brasil.


O discurso de abertura será da Presidente da Associação, prof. Arany Santana; a parte artística será contemplada com a voz do cantor e sociólogo Carlos Barros e do violão de Pedro Ivo.
Ao final: as bênçãos da mameto Zulmira seguidas do indispensável mucunzá que será ofertado aos presentes.
Serviço:
Evento: Conferências mãe Zulmira de Nanã
Tema: O candomblé congo-angola e a religiosidade afro-brasileira: muita história pra contar
Local: Biblioteca Pública da Bahia ( Central); Auditório Kátia Mattoso
Endereço: Rua General Labatut, s/n, Barris (  Salvador – Bahia)
Dia: 27 de outubro de 2011, das 16h às 18h
Aberta ao Público ( Entrada Franca)
Fonte: http://www.memoriasdomar.blogspot.com/

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Curso de Extensão: “leituras contra o racismo na obra literária e jornalística de Lima Barreto”

Grupo de pesquisa Populações Negras: Pesquisa e Extensão, promove nos dias  24,31 de outubro, 07,14 e 21 de novembro, curso de extensão com o tema: leituras contra o racismo na obra literária e jornalística de Lima Barreto.
 Coordenador: Prof. Ms. Marlon Marcos.
Os interessados, poderão  realizar inscrições no NUPE
Fonte: http://www.uneb.br/itaberaba/dedc

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Concurso da Prefeitura de Feira terá cotas para negros

Foi aprovado nesta quarta-feira (19) pelamara Municipal, em segunda e última votação, projeto de lei que cria cotas para afro-descendentes e indígenas nos concursos públicos que forem realizados pela Prefeitura de Feira de Santana.
A matéria foi amplamente debatida peloPoder Legislativo, neste segundo semestre, sendo aprovada depois de vários pedidos de adiamento de pauta e apresentação de emendas
Fonte: http://www.blogdafeira.com.br/

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CEAO lança site que reúne textos em jornais do século XX


Já está no ar a mais nova produção do Centro de Estudos Afro-Orientais. Trata-se do site "O negro na imprensa baiana do século XX”. Nele estão catalogadas mais de 1.400 matérias de 13 jornais da primeira década do século passado (Jornal de Notícias, Correio de Notícias, A Bahia, A Coisa, Diário de Notícias, A Ordem, Foia dos Roceros, O Estímulo, Correio do Brasil,  Gazeta do Povo, Correio da Tarde, Correio de Alagoinhas e O Serrinhense). As notícias expressam aspectos da vida social da população afro-brasileira, das manifestações culturais às entidades políticas. 
"O negro na imprensa baiana do século XX” é mais uma fonte de consulta para os pesquisadores e o público em geral. De modo organizado, podem encontrar informações, retratadas por jornais da época, que contribuam para as produções dos estudos afro-brasileiros. A pesquisa contou com o apoio do CADCT (Fapesb) e do CNPq e teve a coordenação do professor do Departamento de Antropologia da UFBA Jocélio Teles dos Santos.
Acesse e divulgue: www.negronaimprensa.ceao.ufba.br

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Os Rosários dos Angolas" e "O Direito dos Escravos", dois importantes livros sobre história das populações negras serão lançados na Bahia!

Os Rosários dos Angolas
Irmandades de africanos e crioulos na Bahia Setecentista
Uma abordagem histórica ampla e arejada, que transcende fronteiras territoriais e pressupostos tacanhos, confere ao livro de Lucilene Reginaldo uma perspectiva inovadora ao iluminar com outras luzes um tema já trilhado pelos estudos da escravidão: a história das confrarias leigas de africanos e crioulos articulada à experiência da escravização e à do Império português. Focalizando as irmandades setecentistas de Nossa Senhora do Rosário em cidades da África atlântica, da metrópole e da América portuguesa, historiciza os significados que tiveram para a vivência da escravidão e para a elaboração de identidades africanas fora e dentro do continente. Demonstra que foram um dos locus preferenciais da recuperação de uma humanidade danificada pelas contingências da escravização, tanto por mobilizar sentimentos de pertença, quanto por veicular devoções de livre escolha. Por outro lado, ao iniciar a análise por uma problemática ainda pouco familiar aos leitores brasileiros – a da expansão do catolicismo na África Central –, sublinha a importância de se levar em conta a história pregressa das sociedades de onde vieram partes significativas da população brasileira.  Lucilene Reginaldo nasceu em Santo André-SP, fez graduação e mestrado em História na PUC-SP e doutorado em História Social na Unicamp. È atualmente professora de Teoria e Metodologia de História e História da África no departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana.


O Direito dos Escravos
O abolicionismo, importante movimento social no Brasil do século XIX, foi muitas vezes visto pela historiografia como resultante da ação de homens de sentimentos humanitários, que teriam tido a glória de resgatar os pobres negros do cativeiro. Na contramão dessa memória, este livro evidencia que, em São Paulo, se o abolicionismo ganhou força e substância a partir da atuação de juízes e advogados como Luiz Gama e Antonio Bento, suas principais características se devem ao contato direto desses homens com as expectativas e ações dos próprios escravos. Ao buscar os significados sociais que eles atribuíam ao direito e à lei, este livro questiona as interpretações tradicionais que dividem o abolicionismo paulista em uma fase “legalista” e outra “radical”. A análise de vasta documentação judiciária, da correspondência entre autoridades públicas e de jornais do período torna evidente que a  Elciene de Azevedo possui graduação (1994), mestrado (1997) e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Atualmente é professora da (UEFS).Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão e movimento abolicionista, história do direito e das lutas jurídicas, experiência de trabalhadores escravos e livres no processo da abolição.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

UFPA concede título de "Doutor Honoris Causa" a Vicente Salles, autor de "O negro no Pará"

Um dos intelectuais mais notáveis do Estado, Vicente Juarimbu Salles,
recebeu da Universidade Federal do Pará (UFPA) a outorga do título
Doutor Honoris Causa, o mais alto dos graus universitários,
normalmente concedido a personalidades que tenham se distinguido pelo
saber ou pela atuação em prol das Artes, das Ciências, da Filosofia,
das Letras ou do melhor entendimento entre os povos. A concessão foi
indicada pelo reitor da UFPA, Carlos Edilson Maneschy – para quem a
obra de Vicente Salles é “um legado de qualidade acadêmica e cultural
de inegável valor.”
Aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consun), a
outorga foi votada em reunião extraordinária, nesta segunda-feira, 19,
a qual contou com mais de 60 conselheiros presentes, de um total de 98
membros. A votação seguiu o Regimento Geral da Universidade, o qual
prevê que a concessão deste grau deve ter o voto favorável de, pelo
menos, dois terços (2/3) dos membros do colegiado competente.
O parecer nº20/2011 da Câmara de Legislação e Normas (CLN), que se
encontrava em fase de apresentação, teve dispensa de interstício para
ser julgado de imediato, a tempo de que a outorga do título possa
homenagear Vicente Salles em concomitância com as comemorações pelos
seus 80 anos de vida, os quais serão completados no próximo dia 27 de
novembro. “Essa será, sem dúvida, uma ocasião propícia para que a UFPA
possa reconhecer os méritos universais de sua obra”, afirmou o reitor
Carlos Maneschy.
Coroamento de uma trajetória de vida - Em entrevista concedida por
telefone, Vicente Salles, que atualmente reside em Brasília,
demonstrou-se sensibilizado. “Aos 80 anos de idade, estou pronto para
receber muita coisa, as melhores e, até mesmo, as piores notícias.
Essa homenagem a mim concedida pela UFPA, certamente, é uma boa
notícia que recebo como o coroamento de toda uma trajetória de vida.
Um título grandioso que chega a um caboclo do interior e que recebo
com muita gratidão”, disse o pesquisador, após ser informado pelo
reitor Carlos Maneschy acerca da honraria.
Vicente Salles é natural da vila de Caripi, município de Igarapé-Açu,
interior do Pará, donde saiu cedo para estudar na capital, Belém.
Formou-se como Bacharel em Ciências Sociais pela antiga Universidade
do Brasil, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Aos 23 anos, começou um trabalho pioneiro de pesquisa do Carimbó,
ritmo musical popular próprio da cultura paraense. E não apenas. Sua
extensa obra dedica-se, de modo geral, à cultura popular e à música,
e, de modo específico, à história do Pará, ao povo local, à literatura
de autores paraenses: uma produção que soma mais de 25 livros e 50
microedições, entre os quais, estão títulos como: O negro no Pará, O
memorial da Cabanagem e Épocas do Teatro do Grão Pará.
Títulos - Membro da Academia Brasileira de Música, seu catálogo de
obras, publicado em 2009, relaciona 661 títulos, entre bibliografia
básica e bibliografia geral. De acordo com a esposa do pesquisador,
Marena Salles, grande parte de sua obra, no entanto, ainda permanece
inédita. “Nenhuma pesquisa sobre música e história do Pará, ou sobre
as áreas em que é referência, pode ser realizada, hoje, sem
mencioná-lo”, afirmou.
Vicente Salles é, também, membro da Academia Nacional de Música; do
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; da Comissão Nacional do
Folclore, entre outros órgãos e entidades. Durante toda sua vida,
recebeu diversos prêmios e o título Doutor Honoris Causa da
Universidade da Amazônia (Unama), em 2002.
Museu da UFPA - Na UFPA, Vicente Salles foi diretor do Museu
Universitário (MUFPA) por dois anos, tempo que utilizou para organizar
seu acervo de partituras manuscritas e impressas, discos, fitas,
imagens, livros, folhetos e recortes de jornais. Foi também no MUFPA
que implantou projetos de pesquisa sobre a cultura popular do
cantochão paraense, bandas de música e edição de partituras musicais
em computador.
Atualmente, o Museu da UFPA abriga o Acervo Vicente Salles, no qual
está a coleção completa das microedições do pesquisador (Leia no
Jornal Beira do Rio a reportagem Projeto recupera Coleção Vicente
Salles).
Justiça a um intelectual ímpar - Durante a reunião do Consun que votou
a concessão do título, diversos professores da UFPA manifestaram-se
sobre a colaboração inestimável de Vicente Salles para a produção de
conhecimento sobre o Pará e a Amazônia. Para o relator do processo e
professor do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da UFPA, Antônio
José Mattos, o título Honoris Causa “faz justiça a um intelectual
ímpar”, que tem "a obra de um gigante”. Da mesma forma, o pró-reitor
de Extensão, Fernando Arthur Neves, disse que “o título concedido
engrandece não apenas o professor Vicente Salles, mas também a própria
UFPA.”
O diretor do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da UFPA, Celson
Gomes, destacou a importância do pesquisador para essa área do
conhecimento, especialmente para a área de Música. “Não por acaso,
Vicente Salles foi o homenageado do V Encontro Nacional da Associação
Brasileira de Etnomusicologia, realizado em Belém, em maio de 2011”,
lembrou.
Interdisciplinaridade - Já o vice-reitor Horácio Schneider destacou,
por exemplo, a importância da obra de Vicente Salles para a Biologia,
mais especificamente para os estudos de antropogenética. “O livro O
Negro no Pará é uma obra de referência, que pavimentou muitas das
pesquisas do Grupo de Estudos em Genética de Populações Humanas, do
qual eu faço parte”, contou. O diretor adjunto do Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFPA, professor Nelson Souza
Júnior, afirmou que “Vicente Salles é um criador no sentido pleno da
palavra, o qual consolidou a área de estudos amazônicos e gerou novas
possibilidades de pesquisa.”
A cerimônia de entrega do título Doutor Honoris Causa a Vicente Salles
ainda será agendada em data próxima. A expectativa é que o pesquisador
possa vir a Belém para receber a homenagem.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PELUSO RECOMENDOU O APAGÃO DA MEMÓRIA

O presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Cezar Peluso, baixou uma recomendação (nº 37) orientando os tribunais do país a preservarem seus documentos. Tem 1.800 palavras, e quem a lê sente-se no paraíso. Menciona o Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário e cria mecanismos para a digitalização de processos. Tudo muito bonito até que se chega ao item XX da recomendação:
"Será preservada uma amostra estatística representativa do universo dos documentos e processos administrativos e dos autos judiciais findos destinados à eliminação."
Numa palavra: destruição.
Reapareceu o apagão que há anos ameaça a memória do Judiciário. Do ponto de vista de quem quer se livrar de um papelório que pode chegar a 20 milhões de processos, esses documentos não têm valor. Juntam bichos, mofo e perigo de fogo. Para os historiadores, ali está a História do andar de baixo e, em muitos casos, só ali.
Pela recomendação de Peluso, serão destruídos processos encerrados há cinco ou dez anos. Só excepcionalmente, em casos que envolvem patrimônios, podem durar até cem anos. Deles, sobreviverá apenas uma "amostra estatística".
Esse critério já queimou milhões de processos, entre eles o que tratou da indenização de um jovem metalúrgico que, em 1959, deixou o dedo mínimoda mão esquerda debaixo de uma prensa. Que valor teria o caso banal de um pernambucano miserável? Era o processo do dedo de Lula.
Pode-se sustentar que não compete ao Judiciário gastar dinheiro preservando processos velhos. Também é o caso de se conjurar projetos megalomaníacos de digitalização. Daí a destruir os papéis, vai uma distância enorme. No Paraná, a Justiça do Trabalho publicou um edital abrindo o caminho para o descarte de cerca de 62 mil processos trabalhistas. Felizmente, a Unoeste de Marechal Cândido Rondon pediu a guarda do arquivo, e o caso poderá ser resolvido de forma exemplar.
O doutor Peluso sabe quão prósperos são os grandes escritórios de advocacia. O Rio Grande do Sul preserva 14 milhões de processos da sua Justiça, e isso custa à Viúva algo como R$4,2 milhões por ano (incluindo aluguel, água, luz e telefone). Instituições oficiais de financiamento ou programas do BNDES e da Petrobras, associados a algumas bancas de advogados, poderiam desatar esse nó em outros estados.
Se a destruição for evitada, e os arquivos forem salvos, algum dia uma grande cidade poderá montar um projeto semelhante ao dos papéis da Corte criminal de Londres. No Old Bailey digitalizaram 197 mil julgamentos preservados, com 240 mil manuscritos em que estão 3,35 milhões de nomes daralé que passou pela Justiça entre 1674 a 1913. Essa papelada ensina que, em 1889, um sujeito era acusado de ganhar 20 libras para enviar uma jovem a um bordel brasileiro. Graças à preservação de um censo dos hóspedes da prisão de Holloway, sabe-se que, em 1881, lá esteve Edward Glassborow, tataravô de Kate Middleton, duquesa de Cambridge.
Fonte: O Globo - 11/09/2011 Apud http://www.anpuh.org/

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

E AQUELES QUE ERAM PRA DAR SEGURANÇA!

Car@s colegas,
em solidariedade aos estudantes da UFRB, publicamos a nota que se segue, a qual constitue um manifesto de denúncia. Se alguém se achar prejudicado por esta publicação, terá também o direito de publicar sua manifestação. Independente de qualquer coisa, o grupo de pesquisa Populações negras: pesquisa e extensão (UNEB/CNPq) não se furtará de apoiar estudantes negros ne não-negros em situações de conflito. 
Att: Prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira (Bel).
Segue a nota:
"Não é com satisfação que viemos denunciar: Jaques Wagner e ACM vestem a mesma farda facista! As cabeças que descansam hoje no mirante de Ondina como as de ontem, têm a mesma cor! Nós, estudantes negras e negros residentes na cidade de Cachoeira estamos juntos com outras entidades do movimento social e professores da UFRB organizados para denunciar o racismo, a banalização da violência e o abuso do poder na conduta da Polícia e da política de (in)segurança pública do Estado da Bahia perante a comunidade de Cachoeira.
A agressão policial, física e verbal, da qual foi vítima a estudante negra Flávia Pedroso durante a apresentação de bandas de Reggae do Recôncavo nos festejos da Boa Morte é o ponto comum onde se encaixam várias das mais diversas formas do genocídio cultural e político da população negra. Uma prática contínua que tem os pés fincados na Casa Grande. Em pouco tempo os manipuladores da democracia e da insegurança reprimiram uma manifestação cultural e política da juventude negra do Recôncavo desligando o som e agredindo com tapas membros da produção, agrediu com palavras irrepetíveis à mulher negra e negaram o direito à denúncia dos crimes de racismo e violência contra a mulher, assim como exames de corpo de delito. Enquanto isso rodou mais de 50 quilometros com a jovem negra numa viatura da Polícia Militar para acusá -la de desacato à autoridade por ter perguntado o nome de uma das policiais agressora. Exigimos respeito aos direitos civis da população e repudiamos a manipulação da lei e do direito do cidadão quando coloca como réu a vítima de agressão racista e machista. Nossa ação política soma-se a esse conjunto de fatos para evidenciar que não é de hoje que a truculência do poder estatal criminaliza a juventude negra, negando-lhe a liberdade de denúncia e expressão, mesmo via música negra, e exigi o cumprimento dos direitos políticos da população negra violados pelo mesmo Estado.
Assim como em Salvador e região metropolitana, a população negra nas periferias de Cachoeira vive sofrendo estas agressões e violações de seus direitos. Nas rotineiras rondas que fazem nestas localidades os policiais além de revistar as fraldas de crianças e “implantar” droga no bolso dos jovens, têm obrigado as mulheres do Candomblé a retirarem o Ojá que protegem seu Ori argumentando procedimento de revista rotineira.
A invasão ao Terreiro do Ventura, motivo de Caminhada do povo de Axé da cidade em 19 de novembro de 2010 e a agressão policial sofrida pela Iyalorixá Ya Bernadete no Assentamento Dom Helder Camara em Ilhéus, demonstram que este conjunto de situações trata-se de uma ofensiva da qual nenhum negro e nenhuma negra estão a salvo. Denunciamos tais agressões contra as sacerdotisas do Candomblé, tradição religiosa do povo negro de Cachoeira e da Bahia. O ódio religioso verificado nas diferentes formas de violência às religiões de matriz africana reiteram as tentativas de genocídio cultural como face do racismo estrutural contra o povo negro do Brasil. Falando a partir da experiências das escravizadas em Cachoeira vemos a resistência secular do povo negro. Estes eventos se conformam em verdadeiras atrocidades contra o sagrado das Y ias no lugar da mais importante organização de mulheres negras, da mais antiga Irmandade de Mulheres Negras do Candomblé. Sua história e outras do povo negro do Recôncavo nos inspira a resistir até os dias de hoje, justamente por confrontar o sistema escravista que sempre teve a polícia como seu braço armado, legitimado pelo estado para prender e matar “negros fujões e rebelados”, nossas lideranças, para as quais a Boa Morte se organizava para compra da Alforria.
Agressões da PM da Bahia à jovens negros/as tem sido recorrente nos fins de semana, no São João de Cachoeira, assim como foi no dia 13 de agosto do ano corrente, quando foi contra todos os nossos direitos sociais e individuais. Não há qualquer justificativa que possa nos convencer das agressões nas abordagens. Trata-se de uma prática sistemática de violação dos direitos constitucionais do povo negro do Recôncavo a terra, lazer, informação e educação. No nosso quilombo urbano ou nos quilombos rurais castram nossa liberdade e instauram a insegurança entre nós, haja vista as irregularidades do último caso:
· quando uma pessoa é conduzida à Delegacia por policial civil ou militar, ela deve ser imediatamente apresentada ao Delegado de Polícia e tudo que acontecer com a pessoa dentro da Delegacia é de responsabilidade do Delegado de Polícia, a única autoridade Policial de fato;
· quando uma pessoa é agredida nas dependências da Delegacia, o Delegado também poderá responder por crime de tortura, assim como, as mulheres devem ser revistadas por policiais femininas, e que policiais não podem gritar com a pessoa, xingá-la, agredindo-a, o que configurar crime de racismo, violência à mulher injúria ou até mesmo de abuso de autoridade;
· todo policial deve estar identificado e quando solicitado deve apresentar sua carteira funcional.
Não aceitamos mais contar vidas e talentos aniquilados pelos estereótipos criados pela instituição policial, perseguindo e matando nossos jovens pobres e pretos. Não aceitamos que o policia exerça a segurança privada dos brancos detentores do capital econômico e político no Brasil, enquanto dispensa tratamento historicamente diferenciado para negros e brancos, pobres e ricos, mulheres e homens, homossexuais e heterossexuais.
A interiorização da violência (Mapa da Violência 2011) atinge não só nossas periferias através da Polícia como também pela grande mídia sensacionalista, instrumento ideológico de legitimação das truculências dos militares em nossas comunidades, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Outras formas de atuação repressora da (in)segurança pública no interior são as ações de milícias para o intimidamento de lideranças quilombolas e indígenas no campo, muitas vezes, militares acionados por “senhores de engenho” contemporâneos que não aceitam perder seus privilégios na concentração de terra e renda. A região do Recôncavo e Sul da BA são as principais áreas de atuação dessas organizações criminosas.
A violação que vem sofrendo a centenária Roça do Terreiro do Ventura e outros terreiros de Candomblé da região, os ataques de grileiros e fazendeiros ao povo dos quilombos do São Francisco do Paraguassu e do Vale do Iguape e as agressões gratuitas às mulheres negras que têm seus territórios invadidos é comum na rua pelos (ir)responsáveis pela manutenção da (in)segurança pública. Esses ataques são apoiados por parlamentares representantes dos ruralistas, grileiros e latifundiários que em Brasília contestam a constitucionalidade do decreto 4887/03 que regulariza territórios quilombolas, pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3239/04), de autoria dos DEM, (ex-PFL) em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal).
É tempo de lutar por REPARAÇÃO AO POVO NEGRO. O Estado agora é que deve nos pagar indenizando a dívida social para com a população negra e pelos crimes de lesa a humanidade conforme Deliberações da Conferência Internacional de Durban em 2003.
“Nunca morremos, nunca morreremos calados, não silenciaremos!”
O povo de Cachoeira e do recôncavo está gritando BASTA! Não queremos mais dormir e acordar com medo da violência, não precisamos de uma polícia que atua de maneira truculenta, racista, homofóbica, machista e genocida, agindo em favor de grupos de poder. Exigimos uma Audiência Pública para tratar do problema da Segurança Pública na cidade.
REAJA À VIOLENCIA RACIAL ! REAJA OU SERÁ MORTA ! REAJA OU SERÁ MORTO ! REPARAÇÃO JÁ!
Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB - NNNE
Comunidade do Viradouro, Cachoeira - BA
Movimento Negro Unificado - MNU
Associação de Familiares e Amigos de Presidiários – ASFAP
Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária
Campanha REAJA!
Posse Conscientização e Consciência - Lauro de Freitas
JACA - Juventude Ativista de Cajazeiras
Centro Acadêmico de Jornalismo da UFRB
Movimento Rumo ao Socialismo
Movimento de Mulheres do Subúrbio
Coletivo Contra Corrente
Coordenação Regional de Estudantes de Ciências Sociais/UFBA
Coletivo Além dos Muros
Coletivo Aqüenda! de Diversidade Sexual!
Barricadas fecham ruas, abrem caminhos!
ENECOS - Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social"

domingo, 4 de setembro de 2011

Iyá Ogunté:O lugar da mãe guerreira



“A Dona do mundo faz do alcance o seu dizer
Ter água no corpo é merecer”
Tiganá Santana


Iemanjá é a senhora das águas do mundo. Abrigo e gerência de tudo que é vivo, sentido profundo das fragrâncias do feminino no que salta aos olhos e, também, no intraduzível. É a mãe belicosa que arrebenta as marés, debate-se em rochas, empunha o alfanje, socorre e mata, em nome do amor que a orienta. Energia aquática soberana de peixes e sereias, reflexo das donzelas querendo amar nas areias, símbolo da mulher-mãe que comanda seu lar.
Iemanjá é o mito que transborda a essência das águas, desperta a vida, cuida sem parar do infante humano em sua caminhada de abandonos. Ela habita as algas, transmuta-se em polvo, arraia, golfinho; às vezes, é a poderosa baleia; outras, sereia; do mar, no íntimo da água salgada, ela zela poeticamente pela existência potável do que mata a sede e dá vida ao que pode viver no território terrestre.
Ela é a dança do sossego. E a fúria intempestiva dos mares. Espalha oxigênio pelo mundo segurando as cabeças que compõem a humanidade. Qualidades da mulher que adolesce e da que envelhece em contrapartida. Equilíbrio entre beleza e segurança, ela toma conta de tudo que lhe afeta e se ilumina na força que a traduz: os elementos aquáticos.
Escorre dela também doçura.  Seus movimentos são lentos e oportunos, ela sabe chegar em sua majestade e marcar sua presença na luminosidade dos seus símbolos. Forte como a pedra do absoluto, translúcida e aderente como suas águas, delírio de pescador, uma senhora do cotidiano e quando mais perigo, ela é o mistério difuso que amedronta e afasta como os oceanos longínquos.
O negro feminino que pariu a Terra nascida da grandeza dos mares.  Iemanjá é puro encanto. O que se desliza e atinge; alcance e representação da esperança. Sua energia ocupa qualquer lugar e ela imprime proteção na alma de quem a entende. É quem aglutina gente e desintegra os desertos. Mulher que se abastece nos vestígios de fé que perfumam e enfeitam sua casa e se enfurece com o dessentido da poluição.
Iemanjá baixa nos terreiros no frescor da generosidade e da vaidade que a definem. Destacado alicerce da fé do povo do candomblé e musa sagrada inconteste das ressignificações que deram à sua personalidade divina. Ela é a dona do mundo.
Uma canção divina que nos embala para cuidar-nos. Segredos dos pescadores – Odô Iyá – frente a rios e mares, o pratear do xaréu nas manhãs baianas que alimentam a vida. Mulher de partilhas e abrigo no ventre. O feminino se ordenando – o comando político certeiro para que haja coexistência. A mulher ninando a cria com a mão de poesia na cabeça dos filhos sonhando. A mulher banhando cada sorte, cada caminho.
Iyá Ogunté nesses atalhos do Brasil. Deusa iorubana incrustada no Rio Ogum – avalanche de águas doces e salgadas nessa esfera mítica do humano viver. Deusa negra e original da afro-brasilidade. Seios fartos de leite e procura, divindade condutora da saúde dos pensamentos.
Iemanjá – serena representação no bairro do Rio Vermelho. Aquela mãe de todos nós que inspirou o poeta: “ter água no corpo é merecer”. Erú Iyá.
P.S. - Iyá de mim, Senhora que me ocupa, Mãe da minha proteção, Guardiã dos meus mistérios mais profundos, Dona das minhas sentenças, Voz maior na minha audição, Luminosidade na minha vida, Fonte inspiradora dos meus escritos, Baluarte que me conduz, Insígnia do meu princípio, Alfange que corta a favor de mim, Água que me purifica, Beleza que me anima, Útero que me dá paz, Nome que dobra em meu nome, Encanto das minhas certezas, Âmago da minha fé - Motriz absoluto da minha existência que é nada sem a energia aquática da Sua Presença.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Estudos africanos são temas de minicurso no CEAO

O Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) e o Programa de Intercâmbio Sul-Sul para a Pesquisa da História do Desenvolvimento (Sephis) realizam o minicurso "Estudos Africanos - Relações Índia e África”, de 13 a 15 de setembro, das 18 às 21h, na sede do CEAO, Largo Dois de Julho. O evento é gratuito. Os interessados devem se inscrever pelo e-mail: alyxandrasephisbrasil@gmail.com.
A professora Renu Modi, da Universidade de Mumbai, ministrará as aulas do curso que faz do programa Lecture Tour, ciclo de palestras sobre tema relevante para os Estudos Africanos no Brasil. No minicurso, dará especial atenção às relações entre Índia e África e também ao que concerne às migrações de africanos e relações raciais.
Um pouco sobre a palestrante – Renu Modi é pesquisadora sênior do Centro de Estudos Africanos da Universidade de Mumbai, na Índia. É cientista política graduada pelo Lady Shri Ram College for Women, em Nova Delhi. Seus livros são: Beyond Relocation: The Imperative of Sustainable Resettlement e South-South Coopertion: Africa on the Centre Stage. Além disso, já publicou sobre relações econômicas entre Índia e África numa perspectiva tanto histórica quanto contemporânea e trabalhou como consultora para desenvolvimento social para o Banco Mundial em 2005.
Minicurso: Estudos Africanos – Relações Índia e África
Quando: 13, 14 e 15 de setembro, das 18 às 21h
Onde: CEAO, Largo Dois de Julho
Quanto: Gratuito
Mais informações: alyxandrasephisbrasil@gmail.com / (71) 8724-6364
           

domingo, 28 de agosto de 2011

Cota para negros em concurso público é aprovada em Salvador

A Câmara de Vereadores de Salvador aprovou ontem,  por unanimidade, projeto de lei que estabelece cotas de 30% para negros nos concursos realizados no âmbito da administração municípal.
 Iniciativa do vereador Gilmar Santiago (PT), o projeto tramitava desde 2009 e previa, inicialmente, a reserva de 50% das vagas para os afro-descendentes. O vereador Alcindo da Anunciação apresentou uma emenda reduzindo o percentual para 30%.
“Houve ampla negociação na Casa para garantir a aprovação da medida, que foi adotada do Rio de Janeiro. Na Bahia, o governador Wagner acenou para a implantação no estado”, comemorou Santiago.
Fonte: www.blogdafeira.com.br

sábado, 27 de agosto de 2011

Mesa Redonda: Populações Negras: História, Historiografia e Perspectivas

Car@s,
É com muita satisfação que o Grupo de Pesquisa Populações Negras: Pesquisa e Extnsão convida a tod@s para a mesa redonda: Populações negras: história, históriografia e perspectivas, como consta na programação à baixo. A mesa será realizada dentro da programação do Seminário Diálogos com a Pesquisa, coordenado pela prof. Ms. Lígia Santana, do Colegiado de História. A realização é uma parceria do Núcleo de História Local e o Grupo de Pesquisa: Populações Negras: Pesquisa e Extensão, ambos do Departamento de Educação/Campus XIII da UNEB.
Aguardo a tod@as neste evento.
Att: Prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Márcia Short: quando a grandeza é ofuscada pelo racismo

Marlon Marcos
De  Salvador (BA)


De fato, existem várias teorias da comunicação, além dos movimentadores cotidianos que fazem isso que chamamos mídia, que analisam e ratificam o estar ou não de vozes no cenário do show business, atuando como artistas e, ao mesmo tempo, como produtos vendáveis comercialmente.

Muito se fala que a Bahia é um celeiro produtor e exportador de talentos musicais, desde ícones eternos como Dorival Caymmi e João Gilberto, até fenômenos de massa como Ivete Sangalo, a Bahia pautou e ainda pauta produtos comercializáveis em todo o Brasil.

Assim como existem critérios de noticiabilidade para a prática jornalística, que nem sempre estão coadunados com os princípios desta profissão, existem também, às vezes de modo ainda mais perverso e dissonante com o estar co-existencial dos indivíduos, os critérios que agendam vozes, rostos, corpos, os possíveis "talentos" que nos são vendidos cotidianamente.

Para além da necessidade de uma constante novidade no mercado, da exigida descartabilidade, do facilmente digerível e do que "acontece" como fenômeno e espontaneidade, existem substratos históricos e sociais que conduzem o mercado a oprimir e alijar membros, por vezes talentosíssimos, por não representarem o padrão hegemônico e não possuírem poder de barganha com as forças que instituem as leis e criam as brechas que trazem à luz algumas exceções desta terrível regra brasileira.

Este artigo fala fundamentalmente da experiência baiana. A Bahia da "Axé Music", que sistematiza uma poderosa indústria cultural local que ressoa por todo o continente brasileiro. A Axé Music de suma importância para grandes feitos que os baianos, bebedores do que se conhece como culturas luso-africanas, geraram e produziram carnavalescamente em nosso estado. Axé Music que vem dos negros, que exalta os negros, mas grande parte da lucratividade repousa, quase num sentido de eternidade, nas mãos dos brancos classe média que deram continuidade à máquina do trio elétrico.

Por mais que não queiram ver, o que se tornou um dos melhores carnavais do Brasil, dito por muitos como o melhor, é um carnaval sustentado pela exclusão. E o ponto máximo desta exclusão é deixar de fora os negros que deram alma a quase todos os projetos que configuram o carnaval de Salvador, desde os entrudos até as feições deste carnaval na atualidade.

Paira no ar a pergunta sobre a perenidade de alguns artistas entre nós. O Chiclete com Banana, por exemplo, sem qualidade musical, é um fenômeno de décadas. Ivete Sangalo, dona de um carisma poderoso e ótima cantora, vai pelo mesmo caminho da eternização. Daniela Mercury é a mais completa artista na música carnavalesca da Bahia, a que se renova com talento, passeia com categoria por outros estilos mas também se beneficia com o fato de ser uma mulher branca. Claudia Leitte é a síntese da força do discurso racial na produção de estrelas: loira, bonita no padrão, jovem, mas bem longe de ser cantora. Temos outros nomes que oscilam entre as reflexões apresentadas, que vingam por conta do esquemão empresarial de seus blocos lhes dando segurança e continuidade.

Ora por dentro, ora por fora, temos uma das divas mais importantes desta história: Margareth Menezes que, muitas vezes, foi excluída da "beleza" da folia baiana, sem ter o espaço merecido, acusada de desafinar, de não cuidar bem da carreira e, claro!, de não corresponder a estética de "feminilidade" que a política do trio exige. Hoje, ela compõe bem o personagem, ainda com dificuldades, se marca como uma das três vozes do carnaval baiano se sustentando comercialmente.

E Márcia Short? A menina da extinta Banda Mel tem que ser extinta também? Será que não se ouve a especialidade do seu timbre, a limpidez do seu canto, sua experiência como cantora de verdade que poderia estar no time das melhores cantoras disto que chamam de "MPB"? Será que não se alcança a beleza marcante daquela mulher mãe de dois filhos? Não cabem no carnaval da Bahia as legítimas filhas das nossas culturas negras?

O que é uma cantora? A nova gestão cultural do Pelourinho, a cargo do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Bahia, deu a chance de Márcia Short fazer uma prévia do que ela é capaz, num palco ou num trio elétrico, e a mesma, nos dias de quinta-feira, reúne uma platéia grande e qualificada, para cantar um repertório reluzente que conta a história da Axé Music. Ressaltando: reúne para cantar. Ela tem domínio de voz, conteúdo estético que faz a gente sentir sons e palavras e dançar ao mesmo tempo. Não é o tal do "pula aí", "levanta as mãozinhas", e tome a sacudir os cabelos e a dar com as mãos em excessivos acenos para evitar os desafios do microfone.

Márcia Short tem 45 anos, uma carreira com quase 25, referendada por nomes como Lenine, Chico César, Elba Ramalho, Saul Barbosa, Caetano Veloso, Daniela Mercury. Ela traz uma tradição de vozes negras da Bahia que suingam e embelezam nossa produção local e nacional. É uma presença ausente que envergonha a nós que conhecemos o seu talento e os motivos locais do seu "afastamento". Talvez ela nem queira mais fazer "carnaval"; mas cantar é a alma desta mulher que vaga de projeto em projeto enquanto as animadoras ganham rios de dinheiro com o status de cantora.

Por trás dos impedimentos a Márcia Short, para além da fatalidade de que ela já teve seu tempo, existe o gosmento racismo brasileiro pautando nossos desígnios artísticos e festivos. Deveria existir na Bahia, dentro dos planos de Políticas Culturais, projetos que alimentassem não uma cena alternativa e sim, o que de fato há, uma cena co-existente com a Axé Music, que permitisse a gente ser mais que o "auê" do carnaval.

Quanto ao racismo, ele não acabará por decreto e nem ao meio de novas Políticas Culturais. Mas, precisamos dar ao talento o que é do talento e situar artistas, como Márcia Short, nos lugares que são seus e nós precisamos deles na ativa.
Fonte: http:// www.memoriasdomar.blogspot.com

terça-feira, 16 de agosto de 2011

CEAO disponibiliza acesso a fontes para História da África Ocidental

O sítio Costa da Mina (http://www.costadamina.ufba.br/) disponibiliza uma seleção de fontes européias, em língua original e em tradução para o português, referente às práticas religiosas desenvolvidas na Costa da Mina (África ocidental), entre 1600 e 1730. Fruto de pesquisa desenvolvida no Centro de Estudos Afro-Orientais CEAO) da Universidade Federal da Bahia, o projeto pretende contribuir para a democratização de documentos de difícil acesso e estimular a pesquisa obre a história da África, no Brasil e alhures.  Por favor, visitem e divulguem o link.
Fonte: http://www.ceao.ufba.br/

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Macaco Beleza e o massacre do Taboão, novo livro do historiador Frede Abreu

Frederico José de Abreu, um dos mais conceituados e importante pesquisador/historiador da cultura Afro Brasileira em especial da nossa capoeiragem, autor de "O Barracão do mestre Waldemar" e "Capoeiras: Bahia, século XIX", duas das obras mais conhecidas da literatura sobre a capoeira, acaba de lançar um novo livro intitulado: Macaco Beleza e o massacre do Tabuão. Com certeza uma ótima dica de leitura e presença obrigatória nas prateleiras das bibliotecas e acervos de todo capoeirista. Segue o release enviado pelo autor
 Livro Macaco Beleza e o massacre do Tabuão
 Livro Macaco Beleza e o massacre do Tabuão Manuel Benício dos Passos, vulgo Macaco Beleza, foi um capoeirista baiano que se destacou no final do século XIX, tornando-se uma figura importante, principalmente por ter se intrometido e provocado vários conflitos de rua, que se deram em Salvador, entre monarquistas e republicanos, às vesperas da Proclamação da República.
Tipo de rua, abolicionista militante, monarquista convicto, Macaco Beleza teve contatos com Rui Barbosa, Conde d’Eu e outros personagens importantes da história do Brasil da época. Ele defendeu de corpo e alma a monarquia e tornou-se um dedicado admirador da princesa Isabel. E, por isso, foi um dos principais membros da Guarda Negra baiana e líder dessa instituição para os conflitos de rua.
Como membro da Guarda Negra organizou o Massacre do Tabuão, quando sua turma surpreendeu os republicanos em passeata, com emboscadas, tendo na ocasião tentado assassinar Silva Jardim, famoso tribuno republicano em campanha política na Bahia, contra a Monarquia.
Os acontecimentos relacionados com esse episódio - O Massacre do Tabuão - revelam muitos aspectos que envolviam a vida dos capoeiras de então, como as arruaças por eles provocados, a lábia e a formas orais de provocação dos conflitos; ligações com o poder e outros aspectos importantes para se compreender a cultura da capoeira da época e dos nossos dias.
Este livro dá continuidade à série Capoeiras, Bahia, século XIX, sendo dessa o segundo volume publicado. O autor, Frederico José de Abreu, é autor de outros livros como Bimba é bamba, o Barracão do mestre Waldemar, Capoeiras, Bahia, século XIX.


Serviço
Livro: Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão
Escritor: Frederico José de Abreu
Editora: Barabô
ISBN: 978-85-62542-02-2
Tamanho: 12,7cm x 20cm
Páginas: 84 páginas
Ilustrações: Sante Scaldaferri
Fotos: Dadá Jaques
Valor: R$ 20,00 mais despesas postais
Emails: fredeabreu@gamil.com / barabolaroye@yahoo.com.br
Tel: (71) 3266-6092 (pela tarde e noite) / (71) 3136-6709 (pela manhã)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cotas raciais em concursos públicos na Bahia!

Deputados querem cota racial para concurso público na Bahia




Um Projeto de Lei do deputado Joseildo Ramos (PT), em parceria com o deputado Bira Coroa (PT), será apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia, nesta quinta-feira, com o objetivo de reservar 20% das vagas oferecidas em concursos públicos do estado da Bahia para negros e índios.
Além de determinar o sistema de cotas na aplicação dos concursos públicos para provimento de cargos efetivos, o projeto prevê ainda que a mesma regra seja aplicada aos processos seletivos simplificados para contratações temporárias.
Inspirada em iniciativas de outros estados , a proposta é que a lei vigore por dez anos, cabendo à Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi) promover o acompanhamento permanente dos seus resultados a cada dois anos.
Fonte: http://www.blogdafeira.com.br/

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sertões da Bahia, novo livro do prof. Erivaldo Fagundes Neves

No próximo sábado dia 06 de agosto, à partir das 10:00h, a Livraria LDM (Rua Direita da Piedade, nº 22, Piedade. Próximo ao Banco do Brasil e à Secretaria de Segurança Pública) será palco do lançamento de mais um livro do nprofessor Dr. Erivaldo Fagundes Neves. O prof. Erivaldo já é conhecido pela sua dedicada atenção à história do sertão baiano, desta vez ele trá consigo um conjunto de autores que tem investido nessa interesante seara. O NEPN/UNEB recomenda este evento e a aquisição desta obra.

A OBRA:
 Este estudo coletivo dos sertões da Bahia pretende oferecer um panorama de viveres comunitários e de recortes regionais com o objetivo de ampliar as possibilidades de investigação de suas peculiaridades e estimular novos estudos de cotidianos históricos das diversas Bahias sertanejas. Organizado para uso de alunos de História da Bahia, atende também a interesses de estudiosos da economia, da sociedade, da cultura e da vida política desta unidade federativa. Apresenta análises tanto de algumas opções temáticas quanto de determinados recortes espaciais, em formato diferente dos tradicionais compêndios de história de unidades federativas, que tentam abarcar as suas totalidades territoriais. Do mesmo modo que a História do Brasil, a da Bahia não se caracteriza por um somatório de fatos e dados regionais e locais ou de assuntos sobre determinados temas, porque deve registrar os grupos sociais nas suas articulações inter-regionais, nacionais e exteriores, cujas memórias se conseguem recuperar.
 Para o estudo de viveres e saberes de grupos humanos recorre-se ao uso de diferentes recursos metodológicos através da articulação de temas específicos ou do cotidiano de determinadas comunidades, sem que se constituam fragmentos do todo, mas conhecimentos de experiências sociais em tempos e lugares historicamente construídos por distintos grupos, em diferentes formas de interação social, diversificação cultural, integração econômica e articulação política.

O ORGANIZADOR:
 Cursou Licenciatura em História na Universidade Católica do Salvador (1976), Especialização em Conteúdo e Métodos do Ensino Superior na Universidade Federal da Bahia (1977), Mestrado em História na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985) e Doutorado em História na Universidade Federal de Pernambuco (2003), com um ano de bolsa na Universidade de Salamanca (Espanha). Professor pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência de ensino na área de História, em cursos de graduação, especialização e mestrado nas disciplinas: História Econômica Geral, Formação Econômica do Brasil, Evolução do Capitalismo, História da Bahia, Metodologia da Pesquisa Histórica, Historiografia, História Regional e Local e História Agrária. Desenvolve pesquisas sobre os sertão da Bahia, escravidão na pecuária e nas policulturas do semi-árido, História Agrária, Teoria e Metodologia da História.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pesquisa do IBGE confirma a desigualdade fundamentada na categoria "raça" e "cor" no Brasil

Cor ou raça influencia na vida das pessoas para 63,7% dos brasileiros, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira. A “Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça” foi realizada em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil domicílios - com pessoas com 15 anos ou mais -, no Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal.
No Distrito Federal, houve o maior percentual de resposta afirmativa (77%). O menor foi no Amazonas (54,8%). As mulheres apresentam percentual maior do que os homens: 66,8% delas disseram que a cor ou raça influenciava, contra 60,2% deles. Na divisão por grupos etários, os maiores índices ficaram com as pessoas de 25 a 39 anos (67,8%), seguidas pelas pessoas de 15 a 24 anos de idade (67,2%). Os dois grupos se alternam na liderança desse quesito em todos os Estados, mas no Distrito Federal o destaque é do grupo de 40 a 59 anos, com 79,5%.

Estado
Sim
Não
Não sabe
Total
63,7
33,5
2,8
Amazonas
54,8
38,6
6,6
Paraíba
63,0
30,7
6,3
São Paulo
65,4
32,2
2,5
Rio Grande do Sul
57,9
39,7
2,4
Mato Grosso
59,6
36,8
3,5
Distrito Federal
77,0
22,7
0,4


Sobre situações em que a cor ou raça influencia a vida das pessoas, em primeiro lugar aparece “trabalho” com 71%. Em seguida vêm a “relação com justiça/polícia” citada por 68,3%, “convívio social” (65%), “escola” (59,3%) e “repartições públicas” (51,3%).
O Distrito Federal se destacou com os maiores percentuais de percepção da influência da cor ou raça em quase todas as situações citadas, tais como “trabalho” (86,2%), “relação com justiça/polícia” (74,1%), “convívio social” (78,1%), “escola” (71,4%) e “repartições públicas” (68,3%). Apenas em “casamento”, a Paraíba ficou com 49,5% contra 48,1% do Distrito Federal.
Autoclassificação de cor e raça
Dos entrevistados, 96% afirmam que saberiam fazer sua autoclassificação no que diz respeito a cor ou raça. Ao ser indagada a cor ou raça (com resposta aberta), 65% dos entrevistados utilizaram uma das cinco categorias de classificação do IBGE: branca (49,0%), preta (1,4%), parda (13,6%), amarela (1,5%) e indígena (0,4%), além dos termos “morena” (21,7%, incluindo variantes “morena clara” e “morena escura”) e “negra” (7,8%).
Entre os Estados, o Amazonas se destacou com o menor percentual de respostas para cor “branca” (16,2%) e a maior proporção de uso do termo “morena” (49,2%). Já o maior percentual da resposta “negra” foi no Distrito Federal (10,9%), onde as respostas “branca” e “parda” tiveram proporções iguais (29,5%).
Cor da pele
Entre as dimensões de identificação oferecidas aos entrevistados, em relação à auto-identificação de cor ou raça, a que mais aparece é a “cor da pele”, citada por 74% dos entrevistados. Seguem “origem familiar” (62%) e “traços físicos” (54%).
Na identificação das “pessoas em geral”, a dimensão mais citada foi a “cor da pele” (82,3% dos entrevistados), seguida de “traços físicos (cabelo, boca, nariz, etc.)” (57,7%) e “origem familiar, antepassados” (47,6%).
 Fonte:
iG São Paulo | 22/07/2011 10:50