sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pesquisa do IBGE confirma a desigualdade fundamentada na categoria "raça" e "cor" no Brasil

Cor ou raça influencia na vida das pessoas para 63,7% dos brasileiros, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira. A “Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça” foi realizada em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil domicílios - com pessoas com 15 anos ou mais -, no Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal.
No Distrito Federal, houve o maior percentual de resposta afirmativa (77%). O menor foi no Amazonas (54,8%). As mulheres apresentam percentual maior do que os homens: 66,8% delas disseram que a cor ou raça influenciava, contra 60,2% deles. Na divisão por grupos etários, os maiores índices ficaram com as pessoas de 25 a 39 anos (67,8%), seguidas pelas pessoas de 15 a 24 anos de idade (67,2%). Os dois grupos se alternam na liderança desse quesito em todos os Estados, mas no Distrito Federal o destaque é do grupo de 40 a 59 anos, com 79,5%.

Estado
Sim
Não
Não sabe
Total
63,7
33,5
2,8
Amazonas
54,8
38,6
6,6
Paraíba
63,0
30,7
6,3
São Paulo
65,4
32,2
2,5
Rio Grande do Sul
57,9
39,7
2,4
Mato Grosso
59,6
36,8
3,5
Distrito Federal
77,0
22,7
0,4


Sobre situações em que a cor ou raça influencia a vida das pessoas, em primeiro lugar aparece “trabalho” com 71%. Em seguida vêm a “relação com justiça/polícia” citada por 68,3%, “convívio social” (65%), “escola” (59,3%) e “repartições públicas” (51,3%).
O Distrito Federal se destacou com os maiores percentuais de percepção da influência da cor ou raça em quase todas as situações citadas, tais como “trabalho” (86,2%), “relação com justiça/polícia” (74,1%), “convívio social” (78,1%), “escola” (71,4%) e “repartições públicas” (68,3%). Apenas em “casamento”, a Paraíba ficou com 49,5% contra 48,1% do Distrito Federal.
Autoclassificação de cor e raça
Dos entrevistados, 96% afirmam que saberiam fazer sua autoclassificação no que diz respeito a cor ou raça. Ao ser indagada a cor ou raça (com resposta aberta), 65% dos entrevistados utilizaram uma das cinco categorias de classificação do IBGE: branca (49,0%), preta (1,4%), parda (13,6%), amarela (1,5%) e indígena (0,4%), além dos termos “morena” (21,7%, incluindo variantes “morena clara” e “morena escura”) e “negra” (7,8%).
Entre os Estados, o Amazonas se destacou com o menor percentual de respostas para cor “branca” (16,2%) e a maior proporção de uso do termo “morena” (49,2%). Já o maior percentual da resposta “negra” foi no Distrito Federal (10,9%), onde as respostas “branca” e “parda” tiveram proporções iguais (29,5%).
Cor da pele
Entre as dimensões de identificação oferecidas aos entrevistados, em relação à auto-identificação de cor ou raça, a que mais aparece é a “cor da pele”, citada por 74% dos entrevistados. Seguem “origem familiar” (62%) e “traços físicos” (54%).
Na identificação das “pessoas em geral”, a dimensão mais citada foi a “cor da pele” (82,3% dos entrevistados), seguida de “traços físicos (cabelo, boca, nariz, etc.)” (57,7%) e “origem familiar, antepassados” (47,6%).
 Fonte:
iG São Paulo | 22/07/2011 10:50

sábado, 16 de julho de 2011

"Vestígios recuperados", livro da profª Drª Carmélia Miranda será lançado no XXVI Simpósio Nacional História

Vestígios Recuperados: Experiências da Comunidade Negra Rural de Tijuaçu-BA. Este livro tem como autora a colega Carmélia Miranda, professora doutora da UNEB. O livro será lançado no dia 21 de julho, às 19:30h, em São Paulo, durante o  XXVI Simpósio Nacional de História: ANPUH 50 anos, que acontecerá na Universidade de São Paulo-USP. Nós do NEPN - Núcleo de Estudos das Populações Negras da UNEB/Campus XIII, sugerimos aos colegas pesquisadores participantes do referido encontro, que compareçam para prestigiar o lançamento deste primoroso trabalho, o qual constitui-se em obra de referência para os estudos sobre as populações negras do sertão baiano.
Bom evento!
Prof. Dr. Josivaldo Pires - coordenador do NEPN/UNEB

quarta-feira, 13 de julho de 2011

XI Congresso Luso Afro Brasileiro - relação das Comunicações Científicas

A Comissão Científica do XI Congresso Afro Brasileiro de Ciências Sociais que irá ocorrer em Salvador-BA, entre os dias 07 e 10 de agosto de 2011, divulgou no último dia 10 a relação das Comunicações que serão apresentadas. O conjunto dessas comunicações nos permite sondar o estado da arte da produção sobre estudos das populações negras na África e no mundo afro-diaspórico, especialmente na Afro-América. Para consultar a relação das Comunicações, clique no link: http://www.xiconlab.eventos.dype.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=89

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais um volume de livros doados pelo Centro de Estudos Africanos da USP

Recebemos hoje à tarde mais um volume de livros doados pelo Centro de Estudos Africanos da USP. Foram mais 31 livros sobre história do negro no Brasil. Entre os títulos alguns clásicos como "Brancos e Pretos na Bahia: um estudo de contato racial" de Donaldo Pierson e "Palmares: a guerra dos escravos", de Décio Freitas. O NEPN - Núcleo de Estudos das Populações Negras da UNEB/Campus XIII, agradece ao CEA/USP, pela colaboração que tem dado com a doação de títulos de referência para os estudos das populações negras na África e na Afro-América.
Prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira - Coordenador

domingo, 3 de julho de 2011

O Bando Anunciador em Feira de Santana

O Bando Anuciador era uma manifestação constituída de elementos da cultura popular que ia para as ruas da cidade para anuncia os festejos em louvor a Senhora Santana, padroeira de Feira de Santana. Extinto nos anos 1980, varios segmentos sociais e institucionais, vem nos últimos anos recuperando esta manifestação que diz muito sobre a memória afro-brasileira da região. Sobre a edição do Bando Anunciador deste ano, segue um interessante relato do amigo Felipe Freitas, fervoroso militante do movimento social local.

LÁ VEM O BANDO ANUNCIADOR [1]

Felipe da Silva Freitas[2]

Neste domingo, voltou às ruas da cidade o Bando Anunciador da Festa de Sant’Anna. O evento é uma manifestação cultural que anuncia o início da festa religiosa em honra à Padroeira da Cidade e que fora extinto pela Igreja Católica no final da década de 80 tendo sido revitalizado em 2007 através do Centro Universitário de Cultura e Arte. A iniciativa, capitaneada pelo Prof. José Carlos Barreto de Santana, reitor da UEFS, demonstra o quanto a cultura pode ser valorizada com iniciativas simples e o quanto é importante a ação de atores políticos engajados com o desenvolvimento e com a memória da cidade e do seu povo.
Composta por populares, intelectuais, artistas e políticos o Bando é uma linda expressão da sociedade feirense que ocupa as ruas a anunciar as alegrias e tristezas do seu cotidiano numa festa profana cercada de manifestação política e irreverência. Ao som das fanfarras, dos Afoxés, dos sambas de roda o Bando trouxe a rua não só as tradicionais expressões do povo feirense como também as lutas contra os tabus sexuais, a violência contra mulher e a homofobia que de modo irreverente foram tematizadas durante a festa. A Marcha das Vadias – que discutiu o direito das mulheres sobre o próprio corpo – foi a grande novidade da edição 2011 do Bando.
Outro aspecto importante resgatado pela volta do Bando Anunciador às ruas da cidade diz respeito à questão da (inexistente) política cultural na Princesa do Sertão. Ao caminhar pelas ruas mais antigas, os participantes verificam o quanto tem sido negligenciados os prédios e construções antigas da cidade e o quanto falta ao povo de Feira uma política que preserve sua memória e resgate as suas tradições. O Monte Pio dos Artistas Feirenses, o Prédio da Filarmônica, os Casarões da Rua Conselheiro Franco são algumas das muitas construções descaracterizadas pelo interesse econômico das casas comerciais ou abandonadas pela falta de zelo da administração pública municipal. Este ano o Prefeito não compareceu à atividade!
Além disso, o Bando demonstra o quanto uma administração universitária socialmente referenciada pode influenciar na dinâmica cultural da cidade e de que modo intelectuais engajados podem jogar a favor da preservação da memória e da defesa da cultura. Por meio da Pro-Reitoria de Extensão e do CUCA a Universidade tem cumprido – exitosamente – este papel e tem demonstrado que a Universidade Estadual de Feira de Santana pode fazer muito no campo da cultura e do respeito ao povo da cidade.
Enfim, são muitos os anúncios feitos pelo Bando neste ano de 2011! O mais importante deles diz respeito à importância da história como instrumento ativo da luta por cidadania, justiça e igualdade! Oxalá a administração pública municipal e os tradicionais dirigentes do município entendam este anúncio fundamental e assumam outra relação com Feira e com o seu povo!


[1] Este texto é uma homenagem ao professor Zé Carlos, reitor da UEFS; a Ivannide Santa Bárbara, militante do Movimento Negro Unificado e a cantora Maryzélia, artista feirense. Por caminhos diferentes estas três personagens me fazem acreditar na luta em defesa da cultura da Princesa do Sertão.
[2] Felipe da Silva Freitas é bacharel em direito e membro do Grupo de Pesquisa em Criminologia da Universidade Estadual de Feira de Santana.
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