domingo, 28 de agosto de 2011

Cota para negros em concurso público é aprovada em Salvador

A Câmara de Vereadores de Salvador aprovou ontem,  por unanimidade, projeto de lei que estabelece cotas de 30% para negros nos concursos realizados no âmbito da administração municípal.
 Iniciativa do vereador Gilmar Santiago (PT), o projeto tramitava desde 2009 e previa, inicialmente, a reserva de 50% das vagas para os afro-descendentes. O vereador Alcindo da Anunciação apresentou uma emenda reduzindo o percentual para 30%.
“Houve ampla negociação na Casa para garantir a aprovação da medida, que foi adotada do Rio de Janeiro. Na Bahia, o governador Wagner acenou para a implantação no estado”, comemorou Santiago.
Fonte: www.blogdafeira.com.br

sábado, 27 de agosto de 2011

Mesa Redonda: Populações Negras: História, Historiografia e Perspectivas

Car@s,
É com muita satisfação que o Grupo de Pesquisa Populações Negras: Pesquisa e Extnsão convida a tod@s para a mesa redonda: Populações negras: história, históriografia e perspectivas, como consta na programação à baixo. A mesa será realizada dentro da programação do Seminário Diálogos com a Pesquisa, coordenado pela prof. Ms. Lígia Santana, do Colegiado de História. A realização é uma parceria do Núcleo de História Local e o Grupo de Pesquisa: Populações Negras: Pesquisa e Extensão, ambos do Departamento de Educação/Campus XIII da UNEB.
Aguardo a tod@as neste evento.
Att: Prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Márcia Short: quando a grandeza é ofuscada pelo racismo

Marlon Marcos
De  Salvador (BA)


De fato, existem várias teorias da comunicação, além dos movimentadores cotidianos que fazem isso que chamamos mídia, que analisam e ratificam o estar ou não de vozes no cenário do show business, atuando como artistas e, ao mesmo tempo, como produtos vendáveis comercialmente.

Muito se fala que a Bahia é um celeiro produtor e exportador de talentos musicais, desde ícones eternos como Dorival Caymmi e João Gilberto, até fenômenos de massa como Ivete Sangalo, a Bahia pautou e ainda pauta produtos comercializáveis em todo o Brasil.

Assim como existem critérios de noticiabilidade para a prática jornalística, que nem sempre estão coadunados com os princípios desta profissão, existem também, às vezes de modo ainda mais perverso e dissonante com o estar co-existencial dos indivíduos, os critérios que agendam vozes, rostos, corpos, os possíveis "talentos" que nos são vendidos cotidianamente.

Para além da necessidade de uma constante novidade no mercado, da exigida descartabilidade, do facilmente digerível e do que "acontece" como fenômeno e espontaneidade, existem substratos históricos e sociais que conduzem o mercado a oprimir e alijar membros, por vezes talentosíssimos, por não representarem o padrão hegemônico e não possuírem poder de barganha com as forças que instituem as leis e criam as brechas que trazem à luz algumas exceções desta terrível regra brasileira.

Este artigo fala fundamentalmente da experiência baiana. A Bahia da "Axé Music", que sistematiza uma poderosa indústria cultural local que ressoa por todo o continente brasileiro. A Axé Music de suma importância para grandes feitos que os baianos, bebedores do que se conhece como culturas luso-africanas, geraram e produziram carnavalescamente em nosso estado. Axé Music que vem dos negros, que exalta os negros, mas grande parte da lucratividade repousa, quase num sentido de eternidade, nas mãos dos brancos classe média que deram continuidade à máquina do trio elétrico.

Por mais que não queiram ver, o que se tornou um dos melhores carnavais do Brasil, dito por muitos como o melhor, é um carnaval sustentado pela exclusão. E o ponto máximo desta exclusão é deixar de fora os negros que deram alma a quase todos os projetos que configuram o carnaval de Salvador, desde os entrudos até as feições deste carnaval na atualidade.

Paira no ar a pergunta sobre a perenidade de alguns artistas entre nós. O Chiclete com Banana, por exemplo, sem qualidade musical, é um fenômeno de décadas. Ivete Sangalo, dona de um carisma poderoso e ótima cantora, vai pelo mesmo caminho da eternização. Daniela Mercury é a mais completa artista na música carnavalesca da Bahia, a que se renova com talento, passeia com categoria por outros estilos mas também se beneficia com o fato de ser uma mulher branca. Claudia Leitte é a síntese da força do discurso racial na produção de estrelas: loira, bonita no padrão, jovem, mas bem longe de ser cantora. Temos outros nomes que oscilam entre as reflexões apresentadas, que vingam por conta do esquemão empresarial de seus blocos lhes dando segurança e continuidade.

Ora por dentro, ora por fora, temos uma das divas mais importantes desta história: Margareth Menezes que, muitas vezes, foi excluída da "beleza" da folia baiana, sem ter o espaço merecido, acusada de desafinar, de não cuidar bem da carreira e, claro!, de não corresponder a estética de "feminilidade" que a política do trio exige. Hoje, ela compõe bem o personagem, ainda com dificuldades, se marca como uma das três vozes do carnaval baiano se sustentando comercialmente.

E Márcia Short? A menina da extinta Banda Mel tem que ser extinta também? Será que não se ouve a especialidade do seu timbre, a limpidez do seu canto, sua experiência como cantora de verdade que poderia estar no time das melhores cantoras disto que chamam de "MPB"? Será que não se alcança a beleza marcante daquela mulher mãe de dois filhos? Não cabem no carnaval da Bahia as legítimas filhas das nossas culturas negras?

O que é uma cantora? A nova gestão cultural do Pelourinho, a cargo do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Bahia, deu a chance de Márcia Short fazer uma prévia do que ela é capaz, num palco ou num trio elétrico, e a mesma, nos dias de quinta-feira, reúne uma platéia grande e qualificada, para cantar um repertório reluzente que conta a história da Axé Music. Ressaltando: reúne para cantar. Ela tem domínio de voz, conteúdo estético que faz a gente sentir sons e palavras e dançar ao mesmo tempo. Não é o tal do "pula aí", "levanta as mãozinhas", e tome a sacudir os cabelos e a dar com as mãos em excessivos acenos para evitar os desafios do microfone.

Márcia Short tem 45 anos, uma carreira com quase 25, referendada por nomes como Lenine, Chico César, Elba Ramalho, Saul Barbosa, Caetano Veloso, Daniela Mercury. Ela traz uma tradição de vozes negras da Bahia que suingam e embelezam nossa produção local e nacional. É uma presença ausente que envergonha a nós que conhecemos o seu talento e os motivos locais do seu "afastamento". Talvez ela nem queira mais fazer "carnaval"; mas cantar é a alma desta mulher que vaga de projeto em projeto enquanto as animadoras ganham rios de dinheiro com o status de cantora.

Por trás dos impedimentos a Márcia Short, para além da fatalidade de que ela já teve seu tempo, existe o gosmento racismo brasileiro pautando nossos desígnios artísticos e festivos. Deveria existir na Bahia, dentro dos planos de Políticas Culturais, projetos que alimentassem não uma cena alternativa e sim, o que de fato há, uma cena co-existente com a Axé Music, que permitisse a gente ser mais que o "auê" do carnaval.

Quanto ao racismo, ele não acabará por decreto e nem ao meio de novas Políticas Culturais. Mas, precisamos dar ao talento o que é do talento e situar artistas, como Márcia Short, nos lugares que são seus e nós precisamos deles na ativa.
Fonte: http:// www.memoriasdomar.blogspot.com

terça-feira, 16 de agosto de 2011

CEAO disponibiliza acesso a fontes para História da África Ocidental

O sítio Costa da Mina (http://www.costadamina.ufba.br/) disponibiliza uma seleção de fontes européias, em língua original e em tradução para o português, referente às práticas religiosas desenvolvidas na Costa da Mina (África ocidental), entre 1600 e 1730. Fruto de pesquisa desenvolvida no Centro de Estudos Afro-Orientais CEAO) da Universidade Federal da Bahia, o projeto pretende contribuir para a democratização de documentos de difícil acesso e estimular a pesquisa obre a história da África, no Brasil e alhures.  Por favor, visitem e divulguem o link.
Fonte: http://www.ceao.ufba.br/

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Macaco Beleza e o massacre do Taboão, novo livro do historiador Frede Abreu

Frederico José de Abreu, um dos mais conceituados e importante pesquisador/historiador da cultura Afro Brasileira em especial da nossa capoeiragem, autor de "O Barracão do mestre Waldemar" e "Capoeiras: Bahia, século XIX", duas das obras mais conhecidas da literatura sobre a capoeira, acaba de lançar um novo livro intitulado: Macaco Beleza e o massacre do Tabuão. Com certeza uma ótima dica de leitura e presença obrigatória nas prateleiras das bibliotecas e acervos de todo capoeirista. Segue o release enviado pelo autor
 Livro Macaco Beleza e o massacre do Tabuão
 Livro Macaco Beleza e o massacre do Tabuão Manuel Benício dos Passos, vulgo Macaco Beleza, foi um capoeirista baiano que se destacou no final do século XIX, tornando-se uma figura importante, principalmente por ter se intrometido e provocado vários conflitos de rua, que se deram em Salvador, entre monarquistas e republicanos, às vesperas da Proclamação da República.
Tipo de rua, abolicionista militante, monarquista convicto, Macaco Beleza teve contatos com Rui Barbosa, Conde d’Eu e outros personagens importantes da história do Brasil da época. Ele defendeu de corpo e alma a monarquia e tornou-se um dedicado admirador da princesa Isabel. E, por isso, foi um dos principais membros da Guarda Negra baiana e líder dessa instituição para os conflitos de rua.
Como membro da Guarda Negra organizou o Massacre do Tabuão, quando sua turma surpreendeu os republicanos em passeata, com emboscadas, tendo na ocasião tentado assassinar Silva Jardim, famoso tribuno republicano em campanha política na Bahia, contra a Monarquia.
Os acontecimentos relacionados com esse episódio - O Massacre do Tabuão - revelam muitos aspectos que envolviam a vida dos capoeiras de então, como as arruaças por eles provocados, a lábia e a formas orais de provocação dos conflitos; ligações com o poder e outros aspectos importantes para se compreender a cultura da capoeira da época e dos nossos dias.
Este livro dá continuidade à série Capoeiras, Bahia, século XIX, sendo dessa o segundo volume publicado. O autor, Frederico José de Abreu, é autor de outros livros como Bimba é bamba, o Barracão do mestre Waldemar, Capoeiras, Bahia, século XIX.


Serviço
Livro: Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão
Escritor: Frederico José de Abreu
Editora: Barabô
ISBN: 978-85-62542-02-2
Tamanho: 12,7cm x 20cm
Páginas: 84 páginas
Ilustrações: Sante Scaldaferri
Fotos: Dadá Jaques
Valor: R$ 20,00 mais despesas postais
Emails: fredeabreu@gamil.com / barabolaroye@yahoo.com.br
Tel: (71) 3266-6092 (pela tarde e noite) / (71) 3136-6709 (pela manhã)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cotas raciais em concursos públicos na Bahia!

Deputados querem cota racial para concurso público na Bahia




Um Projeto de Lei do deputado Joseildo Ramos (PT), em parceria com o deputado Bira Coroa (PT), será apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia, nesta quinta-feira, com o objetivo de reservar 20% das vagas oferecidas em concursos públicos do estado da Bahia para negros e índios.
Além de determinar o sistema de cotas na aplicação dos concursos públicos para provimento de cargos efetivos, o projeto prevê ainda que a mesma regra seja aplicada aos processos seletivos simplificados para contratações temporárias.
Inspirada em iniciativas de outros estados , a proposta é que a lei vigore por dez anos, cabendo à Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi) promover o acompanhamento permanente dos seus resultados a cada dois anos.
Fonte: http://www.blogdafeira.com.br/

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sertões da Bahia, novo livro do prof. Erivaldo Fagundes Neves

No próximo sábado dia 06 de agosto, à partir das 10:00h, a Livraria LDM (Rua Direita da Piedade, nº 22, Piedade. Próximo ao Banco do Brasil e à Secretaria de Segurança Pública) será palco do lançamento de mais um livro do nprofessor Dr. Erivaldo Fagundes Neves. O prof. Erivaldo já é conhecido pela sua dedicada atenção à história do sertão baiano, desta vez ele trá consigo um conjunto de autores que tem investido nessa interesante seara. O NEPN/UNEB recomenda este evento e a aquisição desta obra.

A OBRA:
 Este estudo coletivo dos sertões da Bahia pretende oferecer um panorama de viveres comunitários e de recortes regionais com o objetivo de ampliar as possibilidades de investigação de suas peculiaridades e estimular novos estudos de cotidianos históricos das diversas Bahias sertanejas. Organizado para uso de alunos de História da Bahia, atende também a interesses de estudiosos da economia, da sociedade, da cultura e da vida política desta unidade federativa. Apresenta análises tanto de algumas opções temáticas quanto de determinados recortes espaciais, em formato diferente dos tradicionais compêndios de história de unidades federativas, que tentam abarcar as suas totalidades territoriais. Do mesmo modo que a História do Brasil, a da Bahia não se caracteriza por um somatório de fatos e dados regionais e locais ou de assuntos sobre determinados temas, porque deve registrar os grupos sociais nas suas articulações inter-regionais, nacionais e exteriores, cujas memórias se conseguem recuperar.
 Para o estudo de viveres e saberes de grupos humanos recorre-se ao uso de diferentes recursos metodológicos através da articulação de temas específicos ou do cotidiano de determinadas comunidades, sem que se constituam fragmentos do todo, mas conhecimentos de experiências sociais em tempos e lugares historicamente construídos por distintos grupos, em diferentes formas de interação social, diversificação cultural, integração econômica e articulação política.

O ORGANIZADOR:
 Cursou Licenciatura em História na Universidade Católica do Salvador (1976), Especialização em Conteúdo e Métodos do Ensino Superior na Universidade Federal da Bahia (1977), Mestrado em História na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985) e Doutorado em História na Universidade Federal de Pernambuco (2003), com um ano de bolsa na Universidade de Salamanca (Espanha). Professor pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência de ensino na área de História, em cursos de graduação, especialização e mestrado nas disciplinas: História Econômica Geral, Formação Econômica do Brasil, Evolução do Capitalismo, História da Bahia, Metodologia da Pesquisa Histórica, Historiografia, História Regional e Local e História Agrária. Desenvolve pesquisas sobre os sertão da Bahia, escravidão na pecuária e nas policulturas do semi-árido, História Agrária, Teoria e Metodologia da História.