quinta-feira, 5 de julho de 2012

Olha o mestre aí!

Chá de Conversa e Som será uma das atividades de fomento à integração e fruição entre artistas, CCAAm e comunidade. É promoção da nova gestão e tem o intuito de dar o pontapé inicial nos trabalhos propostos. Objetiva lançar mão de temas diversos e de livre iniciativa do público presente, com acesso gratuito, degustação de saborosos chás e troca de informações. As conversas serão incentivadas e mediadas por agentes de atuação cultural no município e/ou nos territórios de identidade. Nesta primeira edição, ter-se-ão como colaboradores o Prof. Bel Pires (Doutor em Historiografia, Pesquisador, Mestre de Capoeira e Coordenador do Malungo Centro de Capoeira Angola), Paulo Akenaton (Cantor, Musicista, Pesquisador e Compositor) e Ricardo Pacheco (Professor de Literatura, Musicista, Capoeirista, Cantor e Compositor). Pelas características intelectuais destes, o mote das discussões poderão girar em torno das influências das culturas africanas na música brasileira, sua formação estética e contemporaneidade. Sendo assim, toda a comunidade está convidada a “bater um papo” conosco e contribuir para fomentar discussões relacionadas à criatividade local e territorial.
Fonte: http://www.amelioamorim.blogspot.com.br/

quarta-feira, 7 de março de 2012

ANPUH Bahia - Povos indígenas, Africanidades e Diversidade Cultural

Segue a Relação dos Simpósios da ANPUH Bahia que estará recebendo inscrições para Comunicação Científica entre 12 de março à 13 de maio de 2012.



Simpósios Temáticos Aprovados pela comissão cientifica do evento


Simpósio Temático
Proponente (s)
1
História e Literatura
1- Robson Dantas
2
Estudos sobre práticas culturais afro-brasileiras
1- Joceneide Cunha
2- Luis Augusto P. Leal
3
Propriedade e usufruto da terra no Brasil colonial e imperial: atores, direitos e conflitos
1- Ana Côgo
2- Marcelo Henrique Dias
4
Entre a democracia e a ditadura: conflitos, tensões e participação política no Brasil
1- Grimaldo Carneiro Zachariadhes
2- Sílvio César Oliveira Benevides
5
Identidades, fronteiras e conflitos na Antiguidade e no Medievo: produção de conhecimento e ensino
1- Rita de Cassia Pereira
2- Marcia Santos Lemos
6
Estado Nação e cidadania no Brasil dos séculos XIX e XX
1- Dilton Araújo
2- Sergio Armando Guerra Filho
7
Dimensões do poder e da política no Brasil: séculos XIX e XX
1- José Alves Dias
2- Argemiro Ribeiro de Souza Filho
8
Diversidades, desigualdades, conflito social e luta política
1- Eurelino Coelho
9
História de festas e festejos
1- Raphael Rodrigues Vieira Filho
2- Milton Araújo Moura
10
Quotidiano, memória e história de populações litorâneas e ribeirinhas do Brasil
1- Wellington Castelucci
2- Cristiano Wellington Noberto Ramalho
11
Povos Tradicionais – História e cultura
1- Hélio Sochodolak
2- Oseias de Oliveira
12
Trajetórias Esquerdas:Cultura, sociedade e cotidiano nas trajetórias de intelectuais de esquerda e suas organizações
1- Ana Paula Palamartchuk
2- Rafael Oliveira Fontes
13
Professores de História: saberes e práticas do ensino de história
1- Carlos Augusto Lima Ferreira
2- Tatiana Polliana Pinto de Lima
14
História, biografia e memória: interseções entre campo e cidade
1- Raimundo Nonato Pereira Moreira
2- Maria das Graças de Andrade Leal
15
Os fluxos da metrópole e o desejo coletivo
1- Francisco Antônio Zorzo
2- Rafael Rodas Veras F.
16
Catolicismo, repressão e diversidade cultural na América portuguesa
1- Suzana Severs
2- Marcos Silva
17
Memória, autoritarismo e democracia
1- Célia Costa Cardoso
2- Lucileide Costa Cardoso
18
Territorialidade e suas relações etnoculturais
1- Natanael R. Bomfim
2- Djaneide Argolo
19
África Centro-Ocidental e o Currículo Multiculturalista
1- Aldieris Braz Amorim Caprini
2- Maria do Carmo Russo de Oliveira
20
Culturas, memórias e representações: os diferentes sujeitos e fazeres da história
1- Carlos Alberto de Oliveira
2- Carlos José Ferreira
21
História da África: perspectivas de ensino, estudo e pesquisa
1- Wilson Roberto Mattos
2- Denilson Lessa
22
Religião, política e movimentos sociais na América Latina
1- Iraneidson Santos Costa
2- Marcos Roberto Brito dos Santos
23
Faces da tradição afro-baiana: os lugares da (re)invenção e do sincretismo no candomblé do sul da Bahia
1- Valéria Amim
24
História Indígena: Produção do conhecimento e ensino
1- Maria Hilda B. Paraíso
2- Teresinha Marcis
25
Fontes e caminhos da História da educação Baiana: acervos arquivísticos, periódicos e memorialistas
1- Ione Celeste Jesus Souza
2- José Carlos Araujo Silva
26
Fontes para a História na Bahia
1- Lina Aras
2- Celeste Maria Pacheco
27
História do Atlântico e da Diáspora Africana
1- Flávio Gonçalves dos Santos
2- Luiza Nascimento dos Reis
28
História da assistência à saúde no Brasil: diversidade de práticas e saberes
1- Cleide de Lima Chaves
2- Christiane Maria Cruz de Souza
29
As relações de gênero e a produção de novos conhecimentos no saber histórico
1- Andréa da Rocha Rodrigues
2- Márcia Maria da Silva Barreiros
30
História do esporte e das práticas corporais
1- Coriolano Pereira da Rocha Júnior
31
Sons, imagens e cenas: História, cultura e linguagens nas relações de produção, circulação e recepção de sujeitos
1- Gilmário Moreira Brito
2- Izabel de Fátima Melo
32
Crescimento econômico com desenvolvimento social? História e relações Internacionais da América Latina e da África (séculos XX e XXI)
1- Antônio Carlos da Silva

33
Família e História: desafios e perspectivas interdisciplinares docentes para uma historiografia contemporânea
1- Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti
2- Bárbara Maria Santos Caldeira
34
África, suas Histórias e a Tradição Oral Afro brasileira
1- Carmélia Aparecida Silva Miranda
2- Juvenal Carvalho


sexta-feira, 2 de março de 2012

A carnavalização na obra de Jorge Amado

Por Gildeci Leite, professor da UNEB

Quem quiser pensar que o livro O País do Carnaval, de Jorge Amado, é uma exaltação à festa, pode até pensar, mas é preciso falar sobre o equívoco deste pensamento. Guardadas as diversas possibilidades de outras classificações da obra amadiana (um dia concluirei a minha proposta), lembro da divisão feita pelo antropólogo Roberto DaMatta.
Ele fala de duas fases. A primeira fase maniqueísta, pautada nos caminhos designados pelo Partido Comunista (PC) como única solução para todos os problemas sociais. Já a segunda fase, carnavalizadora, entende que para as questões da vida cotidiana e dos problemas sociais há mais de um caminho, mais de uma solução e às vezes a escolha pode ser a não escolha ou a escolha dos dois ao mesmo tempo, vide Dona Florípedes e seus dois consortes. DaMatta diz que a segunda fase começa em 1956 com a saída do escritor grapiúna do PC. Outras obras com passagens carnavalizadoras foram escritas antes, o que não é o exemplo de O País do Carnaval.
Dito isso tudo, preciso ainda lembrar que O País do Carnaval é um livro da primeira fase, mais precisamente de 1931. Nesse seu primeiro romance, o carnaval seria a própria barbárie e não condiziria com a proposta de construção de um país moderno.
Portanto quem quiser homenagear Jorge Amado neste carnaval referindo-se ao seu primeiro livro, sugiro que leia as obras verdadeiramente carnavalizadoras. Essas armadilhas são típicas de Amado, isso pode ser lido como uma forma de condenar a integralização da leitura após a batida de olhos no título da obra ou na orelha do livro. A orelha é irmã do ouvido, contudo não nos diz tudo que ouviu do irmão.
O mesmo também pode acontecer com o romance Jubiabá, pois o personagem principal não leva este nome e muitas vezes este equívoco é propalado. Balduíno, personagem principal do citado livro, é o primeiro protagonista negro que se tem notícia na literatura brasileira, mas isso é assunto para outro texto.
Afirmar que em Amado há duas fases é, neste caso, também dizer que ele mudou de opinião e de postura. A altivez da mudança de posicionamento está no fato de assumir o que um dia foi e dizer o que será dali por diante. Com a postura carnavalesca, Amado destruiu a ilusão stalinista que um dia teve. Ele disse que Stalin foi seu pai e sua mãe, de Zélia também. Deixou tudo isso para trás quando descobriu que Stalin era um ditador.
Então onde estariam os carnavais amadianos? Estão em todas as obras que discursam em favor da pluralidade e das múltiplas faces de nossa cultura. Estão em todas as construções dos personagens que possuem múltiplas identidades como todos nós.
Amado já apontava para a existência do ser plural: ao mesmo tempo pai e homem que vive a vida; ao mesmo tempo mãe e mulher que se completa sem o complexo de Virgem Maria e tantos outros papéis que somos e que vivemos. Contudo, talvez o nosso complexo de “vira-latas” nos impediu de ver o que sempre esteve ao alcance de nossos olhos: a formulação de teorias da crítica da cultura, hoje aceitas por nós, pois ditas por autores estrangeiros.  Isso não nos leva a uma declaração de xenofobia (aversão ao que é estrangeiro), apenas a uma constatação de uma provável xenofilia (aversão ao que é nacional) praticada por muitos de nós. Xenofobia e xenofilia não combinam com Amado.
Neste Carnaval quando virem a alegria passar agarrarem-na, as obras de Amado estão ali. Quando tiverem êxtase com o Olodum, Filhos de Gandhi, Bankoma, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, Malê Debalê e outros blocos afro, lembrem-se que a luta para o desfile dos motivos africanos e afro-brasileiros foi protagonizada em Tenda dos Milagres com o bloco ficcional Filhos da Bahia. Você poderá encontrar um Vadinho, marido de Dona Flor, com saia e uma raiz de mandioca nas Muriquiranas, por exemplo.
Verá muitas homenagens em cima e atrás dos trios. Mas com certeza será na pipoca que encontrará diversas representações amadianas, carnavalizando o mundo com a alegria de viver, com a negra concepção aió, concepção alegre de viver.
Fonte: www.uneb.br

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pensar e Construir!!!

Não sei se a vida é longa ou Curta demais
So sei que nada faz sentido
Se tocarmos o coração das pessoas
Muitas vezes pode ser braço que acolhe...
Silêncio que respeita...
Feliz é aquele que tranfere o que sabe
E aprende o que ensina...

Cora Coralina.


A apartir do momento em que vi e ouvi esta mensagem belissíma na sala de aula pensei logo no blog para postar. Pensei se realmente faz sentido, ou seja, na vida da gente seja o preconceito, a discriminação, o bule,
os conflitos de bairro entre tantas outras .Entretanto, não faz sentido, pois nem mesmo sabemos quanto tempo é a nossa vida e por que não aproveitarmos com amor fazendo com que vissemos o outro como irmão e não como rival.
É preciso tratarmos bem as pessoas por que assim construirmos um mundo melhor e ao mesmo tempo é estar amando a si próprio.

Simone Souza

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cláudia Leite e a África da sua cabeça: uma reflexão

Car@s,
Depois de ter assistido a homenagem que Cláudia Leite fez a África, personalizando seu Trio e seu Camarote, resolvi refletir sobre.
Prof. Josivaldo Pires (Bel)

O carnaval é uma festa incrível, serve para muita coisa: comer, beber, brincar, namorar, etc. Mas também serve para pensar! Desta forma resolvi socializar um momento de reflexão, o qual não me veio enquanto estava na folia, veio exatamente nos momentos de memória durante a ressaca da festa momesca.
Havia me organizado para adiantar trabalhos que estão com prazos vencidos em minha casa durante o “feriadão” do carnaval, quando me veio o convite da querida esposa. Queria que eu a acompanhasse à festa do carnaval em Salvador, o que aceitei de pronto (não costumo decepcionar minha querida amada, rsrsrsrs). Então fui com a companheira ao circuito da festa quando tive a surpresa que me custou a presente reflexão. Enquanto andávamos no Circuito Barra/Ondina me chamava atenção algumas pessoas com um abadá que estampava a cara de um animal, o que se repetiu nos dias subseqüentes, sendo a cada dia um animal diferente: leão, elefante, etc. Quando eu menos esperava lá vem o trio da cantora Cláudia Leite, notória representante da chamada “música baiana”, o Axé Music e ao parar em frente ao seu Camarote pronunciou: “essa é minha selva”. Para minha surpresa e decepção o tema de seu Camarote era: ÁFRICA.
As estampas que ilustravam tanto o Camarote quanto o trio eram rajadas que lembravam a pele da Zebra ou Girafa. O slogan ainda contava com o perfil de Claudia Leite com um trato crespo no cabelo e uma expressão facial que sugeria uma mulher “selvagem”. A representação de África para a cantora Claudia Leite em sua homenagem ao continente negro não passava destes elementos descritos acima. A representação de África se limitava aos animais selvagens. Esta era a África da cabeça de Cláudia Leite!
Não sei qual a intenção da cantora, que ao homenagear o continente africano retratou apenas a sua fauna, ou pelo menos dois ou três elementos desta. O fato é que este tipo de referência como representação do continente africano já me cansou o juízo.  A história e cultura africana foram por muito rejeitada até mesmo ao merecimento de estudos históricos. Entendiam os “donos” do saber no mundo ocidental que África não tinha cultura nem civilização, portanto não justificava empreendimentos de investigação científica sobre o continente negro. Essa realidade começou a mudar em meados do século XX com o surgimento de importantes grupos de estudiosos africanos que juntamente com o sentimento de libertação nacional desenvolveram releituras sobre a história e cultura africanas a partir daquele momento. Intelectuais negros como o pan-africanista e egiptologista Cheikh Anta Diop prova através de estudos históricos, antropológicos, paleontológicos, etc (isto mesmo, Diop era um gênio das ciências do homem) que as referências das populações africanas eram outras: desta forma aprendemos com Diop que Tarzan não era herói, que Cleópatra não era branca e que África tinha histórias e culturas que precisavam ser melhor exploradas. Ou seja: a África não poderia e nem pode ser representada apenas pela sua diversidade animal!
No Brasil também avançamos bastante neste sentido. Hoje contamos com programas de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) em estudos africanos e afro-brasileiros; contamos com uma legislação federal que obriga o ensino de África na educação básica; contamos com políticas de ações afirmativas para a população de origem africana; com políticas de cooperação entre o Brasil e África. Por tudo isto não cabe mais nos dias de hoje a representação da África como aquela feita pelo Camarote da cantora Cláudia Leite no Carnaval de Salvador deste ano de 2012.
Para concluir, registro para os colegas que esta é apenas uma opinião, resultante do momento de curtição da ressaca do carnaval, pois não nego minha condição de folião. Por fim, não posso deixar de registrar que encerrei minha noite acompanhando o Bloco Afro Malê de Balê e neste a representação de África nunca se resume em leões e elefantes selvagens.
*Imagem extraída do site: www.ospaparazzi.com.br [citado em 24/02/2012]