quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dia Internacional da Mulher Negra na América Latina e Caribe: porque a luta em gênero e raça



Escrito por: Maria Julia Reis Nogueira, Secretaria Nacional de Combate ao Racismo

27/07/2011


Em 1992, mulheres representantes de 70 países se reuniram na República Dominicana para participar do 1º Encontro Nacional de Mulheres Afrolatinas-americanas e afro-caribenhas, quando ficou estabelecido que o Dia 25 de julho seria o DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA NA AMÉRICA LATINA  E CARIBE.

A data definida pela ONU representa um marco institucional de luta e de resistência da mulher negra.

Alguns podem se pedem perguntar se existem justificativa para o dia 25 de julho, considerando a existência do 8 de março, quando homenageamos todas as mulheres pelas conquistas alcançadas graças à mobilização em defesa do respeito, da dignidade e de direitos iguais.

Para nós, razões não faltam e podemos apresentar alguns elementos que certamente irão fazer com que se reflita sobre a importância da instituição deste dia:

1-     A Mulher negra é vitima de uma dupla discriminação: de gênero e de raça. Ainda não podemos nos esquecer que 25 de julho é dia do trabalhador e da trabalhadora  rural, portanto a trabalhadora rural negra é vitima de mais uma discriminação;

2-     A s Mulheres Negras chegam e receber mensalmente cerca de 66% menos nos salários quando comparados com os homens não negros;

3-     A grande maioria das mulheres negras, 93%, encontra-se no trabalho domestico, o que representa 8 milhões de pessoas. Dessas, 80% não possuem a formalização do vinculo empregatício se quer tem o contrato registrado na CTPS.

Essas poucas considerações, demonstram a necessesidade de se ter pelo um dia em que possamos refletir e debater as questões referentes às mulheres negras e pensar como podemos nos articular para construirmos ações e políticas voltadas para combater a discriminação contras as mulheres, em particular, as negras, ainda mais massacradas, excluídas e discriminadas que as não-negras.

A existência desse dia internacional dedicado às mulheres negras, é necessário e bastante oportuno para podermos refletir, dialogar e pensar ações especificas que viabilizem na prática e no dia-a-dia o combate ao preconceito e à discriminação cotidiana.

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